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quinta-feira, dezembro 31, 2009

Importa preservar...

Neste que é o último dia de 2009 importa recordar não apenas o que aconteceu este ano mas todo um conjunto de acontecimentos mais longínquos. A Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho, em especial colaboração com as associações e colectividades locais, tem ao longo dos últimos anos levado a cabo um louvável esforço no sentido da preservar algumas das tradições desta freguesia. A Feira Medieval é um exemplo claro de como é possível desenvolver iniciativas de sucesso em Vilar, mas não podemos deixar passar em claro a Festa da Cebola. Essa festa que é um recordar de uma das principais fontes de riqueza da freguesia noutros tempos.
É inevitável associar o passado de Vilar à terra, ao cultivo de legumes, em especial a cebola e o milho mas também à pecuária. Muitos agricultores enriqueceram às custas do seu trabalho nesta terra. O comércio de produtos agrícolas, com especial incidência na exportação de cebola e gado para Inglaterra foi um dos motivos para o desenvolvimento de quintas como a do Soeime, Paço de Vitorino, Outeiro, entre outras. Já no caso do milho importa ressalvar que boa parte era usado na produção da Broa de Avintes, depois de transformado em farinha num dos muitos moinhos que povoavam o Febros.





Essas quintas são hoje um importante património arquitectónico do passado de Vilar e das suas raízes marcadamente agrícolas. A Junta de Freguesia não se esquece das tradições da sua terra e muito menos da importância histórica de quintas como a Paço de Vitorino, onde já se tem realizado quer a Feira Medieval quer a Festa da Cebola. Apenas é de lamentar o estado de degradação que ano após ano se instala nesta propriedade rústica. Não por culpa da Junta, que de resto mostrou vontade em tentar conservar (dentro das suas possibilidades) este magnífico espaço, mas sim devido à inevitável burocracia e também à centralidade dos investimentos públicos no Turismo. Estes levam a maior parte dos dinheiros disponíveis para Lisboa, quando não levam as próprias iniciativas, como é o caso da Red Bull Air Race. Em 2008, 61% (43 milhões de euros) dos fundos disponibilizados pelo Turismo de Portugal foram dirigidos para o concelho de Lisboa (concelho, nem sequer é o distrito). Uma pequeníssima parte desses fundos serviria para de uma vez só requalificar a Quinta Paço de Vitorino, mas enquanto por burocracia ou centralidade isso não é possível, resta a Vilar de Andorinho preservar as tradições e costumes que apenas dependem de nós!

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Requalificação de Vila D'Este já arrancou

Aqui fica disponível um dos artigos do Especial Vilar de Andorinho publicado pelo Notícias de Gaia a 15 de Outubro de 2009.






Finalmente. A requalificação de Vila D' Este vai sair do papel. A autarquia de Gaia assinou o contrato para a primeira fase de requalificação dos edifícios, no valor de 5 milhões de euros. O projecto foi aprovado pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional. Apesar de não ser responsabilidade camarária, a autarquia encomendou um projecto ao Professor Vítor Abrantes (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto), que agora pode passar à prática nesta primeira fase. O importante é recuperar uma urbanização onde vivem 17 mil pessoas. A concurso público vão agora as restantes fases que dizem respeito, por exemplo, aos arranjos exteriores e nova requalificação de edifícios. "É com particular satisfação que assinamos este protocolo", referiu o vice-presidente da câmara e presidente da Gaiasocial". E Marco António Costa explica: "Ao contrário do que alguns dizem, este acordo só acontece devido ao esforço concertado das forças políticas de Vila Nova de Gaia e das associações representativas".
Os trabalhos começam já nos próximos dias e ficarão sob a alçada do departamento de Obras da autarquia. Entretanto, decorre o estudo de impacte ambiental para o prolongamento da linha do Metro até Vila D'Este. "Só chega em 2013 graças à vontade da população e à reivindicação da Câmara que, juntos, conseguiram que a decisão da secretária de Estado dos Transportes fosse anulada. Se nada tivesse sido feito, só teríamos Metro em Vila D´ Este em 2024", salientou Marco António Costa.
Menezes recordou que a autarquia está a intervir em Vila D ' Este desde o primeiro mandato. "Construímos uma escola do 1º ciclo, um pavilhão, uma piscina e demos sedes às associações". Paralelamente, foram realizadas intervenções ao nível da mobilidade e da recolha de lixo, que passou a ser diária.
Mas não chega. No futuro "vamos lutar pela instalação de um policiamento de proximidade. Na educação, vamos dialogar com os proprietários da antiga escola privada para fazer o desdobramento da Escola Básica e permitir que os alunos tenham um horário contínuo. E com as associações e a Paróquia vai continuar o diálogo, para trabalharmos no campo da 1ª infância e da 3ª idade, que até nem são competências nossas", finalizou o presidente do executivo camarário.

Consulte ainda a entrevista ao Dr. Manuel Monteiro, Presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho: http://noticiasdegaia.files.wordpress.com/2009/10/vilar-de-andorinho.pdf

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Gente da Minha Terra #3 – Padre Floro

Aqui fica um texto de Hugo Vasconcelos sobre uma das principais figuras de Vilar de Andorinho.

Padre Floro, um pároco na memória colectiva Vilarense.

No jardim frente à nossa Igreja Matriz, ergue-se o busto do Padre Floro Dias Alves. Corria o ano de 1967, quando o então pároco, o excelente pregador Pd. Faria, deixa a nossa Paróquia para ir apascentar a de Cedofeita. D. Florentino, Administrador Apostólico da Diocese do Porto, na ausência do seu Bispo, D. António Ferreira Gomes, exilado por motivos políticos, nomeia para Vilar de Andorinho o Pd Floro que, desde 1962, era pároco de Candemil e Anciães, em Amarante.
Curiosamente, fora também coadjutor daquele que, anos mais tarde, será Bispo de Setúbal, D. Manuel da Silva Martins. Pd Floro chegou no dia 19/11/1967 e toma conta dos destinos da nossa Paróquia. Com a Igreja Matriz cheia, diz as primeiras palavras a um povo profundamente crente e devoto. Com o passar dos anos, a Igreja e as Capelas continuaram cheias até ao seu último alento.
O nosso povo foi sempre muito acolhedor dos seus párocos. Foi o povo quem ergueu a Casa Paroquial e a Capela de Balteiro à custa de memoráveis cortejos e bailaricos. Pd Floro fez profundas obras nas Capelas de S.Lourenço, Nª Srª da Paz e na Igreja Matriz. Foi um lutador pela melhoria das condições físicas dos edifícios, mas sem esquecer “que a missão do Sacerdote não é só construir capelas, mas a Igreja de Jesus Cristo, feita de pedras vivas”. A nova Capela da Sagrada Família, em Vila D’Este, que o nosso querido Pd Albino Reis agora ressuscitou, foi também visão sua. Pd Floro nasceu a 11/12/1936, na freguesia de Vila Maior, no Concelho da Feira, e partiu para junto d’Aquele de quem toda a vida foi mensageiro a 3/3/1999, após 32 anos de serviço na Paróquia.
Nessa manhã, chegou a notícia que abalou toda a Freguesia. O Pd Floro morreu! As águas da fonte do Souto pararam, estupefactas, incrédulas. A doença que o minava acabou por lancetar-lhe a vida, apesar da vontade íntima de a vencer.
Do Pd Floro recordamos o à vontade e a simplicidade com que acolhia os paroquianos. Dava-se a todos, para ele todos eram iguais, pois todos eram filhos de Deus. E foi esta doutrina, esta franqueza de portas abertas à comunidade que o transformaram num filho amado desta terra, mesmo que desta não tenha brotado.
Na minha memória, retenho as suas visitas à Escola Primária: formava-se uma roda em seu torno e cantávamos. Contava-nos histórias e, por momentos, aquele homem, vestido com uma roupa pesada e escura, afinal era um nosso “colega”, com quem podíamos brincar ou saltar à fogueira nos magustos…
As pedras de que falava estão vivas, com um misto de saudade e de alegria: saudade do homem do povo, sabedor das suas misérias e venturas, e alegria por termos a certeza que, onde agora está, certamente rezará por todos nós.

Hugo Vasconcelos

“...Não chores, Se verdadeiramente me amas!”

In http://www.vilarandorinho.net/PDF/Boletim_2008.pdf

sábado, dezembro 19, 2009

Roteiro Cultural #3 – Monte da Virgem



Um dos ex-líbris de Vilar de Andorinho e do próprio município é sem dúvida o Monte da Virgem, outrora conhecido por Monte da Serpente e ainda Monte Grande. O Monte da Virgem é um local o ponto mais alto de todo o Concelho e encontra-se rodeado por terrenos férteis e vários fios de água que irrigam esses mesmos terrenos. Tendo em conta esta características é natural que Vilar de Andorinho e em especial o Monte da Virgem (que abrange o território de Oliveira do Douro e Mafamude), são um local privilegiado para a fixação de povos aos longo dos tempos, seja pelas boas condições para a agricultura mas também pelas vantagens em termos de defesa e comunicação com os povos vizinhos.
Assim, além de ser um dos pulmões de Gaia o Monte da Virgem poderá quiçá ser um local de grande importância histórica (apenas à espera de ser explorado). De qualquer maneira, é ainda de referir a localização no Monte do Observatório Astronómico Prof. Manuel de Barros onde se desenvolvem actividades de investigação, serviços à comunidade e extensão cultural, nas Ciências da Terra, do Espaço e da Engenharia Geográfica. Lado a lado com a Ciência temos a Religião, já que no princípio do século XX foi construída uma Capela e obelisco dedicado à Nossa Senhora da Conceição.




Este Monte, sobranceiro sobre o Rio Douro é um óptimo local para se passear num dia claro, dificilmente se encontra uma paisagem panorâmica do Douro tão bela e completa.
Mas há más notícias… segundo a organização ambientalista Campo Aberto, o Monte da Virgem se encontra na lista dos 50 espaços verdes em risco no Grande Porto… o que é no mínimo lamentável. Por isso e numa altura em que discute tanto sobre a temática ecologia não deixem de desfrutar do Monte da Virgem.

Para mais informações:

sexta-feira, dezembro 18, 2009

“APRENDER, COMPENSA”, reportagem do Jornal Audiência

Aqui fica mais uma reportagem do jornal Audiência, escrita por Marisa Pinho e publicada a 18 Novembro 2009.

“Aprender, compensa” foi a expressão projecta e sentida nos muitos homens e mulheres de Vilar de Andorinho que, na passada sexta-feira, no auditório da Associação Cultural e Desportiva S. João da Serra, pegaram no seu diploma de certificado de habilitações, uns do 9º ano e outros do 12º ano.
O gabinete de inserção profissional da Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho, através de um protocolo com o Centro de Novas Oportunidades, criou as condições necessárias para que muitos adultos da freguesia obtivessem uma qualificação de 9º ano e 12º ano pelo processo de Reconhecimento, Certificação e Validação de Competências (RVCC - Programa das Novas Oportunidades).

Os homens e mulheres que entraram neste processo para aumentarem a sua escolaridade fizeram-no, uns, por questões de valorização pessoal, mais muitos outros por motivos profissionais.

Um desses exemplos é Armando, funcionário da Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho que adquiriu primeiro o diploma do 9º ano e, posteriormente, o do 12º. “A aquisição deste diploma foi muito importante para minha vida”, disse Armando ao referir que, apesar da idade, quando existe vontade e empenho “tudo se torna mais fácil”.

“Quando alguém abria uma vaga para um emprego, eu tinha muitas dificuldades em consegui-la, ficava logo excluído por causa das minhas baixas habilitações”, confessou.

Os recém diplomados pelas Novas Oportunidades lembrou que quando se é jovem “não se dá valor a este diploma”. Na construção do seu portfólio, Armando colocou todas as experiências que adquiriu ao longo da vida e, hoje, depois de ter aprendido a lidar com o computador, utiliza com muita frequência a Internet.

“Este diploma promoveu o meu auto-conhecimento, crítica e tornei-me uma pessoa mais instruída”, frisou orgulhoso.

O presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho, Manuel Monteiro, não conseguiu esconder a satisfação na entrega dos diplomas aos seus fregueses. “Ninguém é o mesmo antes e depois de ter recebido este diploma. Estes alunos saem daqui mais enriquecidos”, salientou.

Manuel Monteiro garantiu que a Junta de Freguesia vai continuar receptiva no apoio a este tipo de iniciativas e apelou a estes novos diplomados que continuem a aprender. “Não fiquem por aqui. Quando eu terminar a minha vida autárquica, quero tirar o curso de direito”, anunciou.


Reportagem disponível em:

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Gente da Minha Terra #2 – Mestre Manuel António de Sousa




Ao longo dos séculos muitos foram aqueles que admiraram e continuam a admirar a obra-prima de Nasoni. Para muitos um dos principais ex-líbris da cidade do Porto, a Igreja e Torre dos Clérigos são no mínimo um dos mais emblemáticos postais turísticos da sua cidade. E mesmo sem conhecer o esforço necessário a uma obra de tal envergadura não é possível ficar indiferente àquela Torre que no alto dos seus 75 metros é a maior Torre de Portugal.
Muitos foram os obstáculos que colocaram em causa o avanço da Igreja e da sua Torre, mas cedo a Igreja e Torre dos Clérigos começaram a recolher um merecido respeito. Já em 1910 a Igreja e Torre foram classificadas pelo IPPAR como Monumento Nacional, e em 1996 uma vez que se encontram em pleno Centro Histórico do Porto tornaram-se Património Cultural da Humanidade.
Nasoni projectou toda a obra e mérito lhe seja dado por num terreno tão acentuado ter demonstrado uma sublime capacidade arquitectónica (sobretudo do ponto de vista estrutural), sem deixar de embelezar a sua obra com toda a riqueza do estilo Barroco. Porém, não podemos esquecer os mestres pedreiros que levaram efectivamente a obra ao que hoje conhecemos.
Depois de aberto o concurso para a construção da Igreja, a empreitada foi adjudicada por 32.000 cruzados ao mestre António Pereira. No dia 2 de Junho de 1732 com pompa e circunstância foi então lançada a primeira pedra da Igreja.
Nasoni muito zeloso do seu projecto não deixou de acompanhar de perto o avanço dos trabalhos, anotando várias deficiências. A dada altura um grupo de peritos depois de fiscalizar a obra alertou de imediato os responsáveis sobre a fragilidade das paredes, garantindo que mantendo-se os mesmo critérios a obra não teria um bom fim.

É assim que logo depois da peritagem o mestre António Pereira desiste do projecto, passando o mesmo para as mãos do mestre Miguel Francisco. Porém o segundo mestre também não esteve à altura das responsabilidades e acabou por se afastar (ou ser afastado). É assim que entra em cena o mestre Manuel António de Sousa, natural de Vilar de Andorinho (presume-se que tenha nascido em S. Lourenço).
O mestre Manuel António de Sousa assume o projecto com a condição de começar tudo de novo. E é mesmo o mestre oriundo de Vilar de Andorinho que consegue concluir a Igreja com o pleno agrado dos responsáveis. Os responsáveis do projecto, em especial Nasoni, não tiveram dúvidas em reconhecer o mérito de Manuel António de Sousa entregando-lhe também a construção da Torre que se situaria nas traseiras da Igreja. Manuel António de Sousa voltou a aceitar a responsabilidade e respondeu com toda a categoria e competência que a obra exigia, terminando-a em 1759, apenas quatro anos depois do seu início.





Assim, da próxima vez que subirem a Rua dos Clérigos ou simplesmente vislumbrarem ao longe a imponente Torre do Clérigo… recordem que foi um vilarense que deu “vida” àquele monumento de 75 metros de altura.

Muito mais gostaria de contar sobre o mestre Manuel António de Sousa, mas a verdade é que o seu nome parece tem sido varrido da História. Em vários documentos e sites sobre a Igreja e Torre dos Clérigos o seu nome não consta, ao contrário dos dois mestre que o antecederam. É realmente curioso que assim seja…

Para mais informações consulte:
“Monografia de Vilar de Andorinho” de Joaquim Costa Gomes

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Vilar de Andorinho: O Brasão e o seu significado!








A ordenação heráldica do brasão e bandeira foi publicada no Diário da República, III Série de 08/05/1996. Mas sabemos realmente qual o significado de cada um dos seus elementos? Como não sabia, resolvi pesquisar e eis o que descobri:
Em primeiro lugar temos dois elementos comuns a muitas outras freguesias do território nacional. As três Torres afirmam efectivamente que este brasão representa uma Freguesia. Os Municípios por exemplo já apresentam nos seus brasões cinco Torres. Já a Coroa que surge num plano superior à andorinha retrata o facto de o termo Vilar de Andorinho aparece documentado já antes da Fundação da Nacionalidade Portuguesa (ou seja, do reinado de D. Afonso Henriques).
Depois existe um conjunto de elementos locais… num plano inferior encontra-se umas ondas brancas e azuis que representam o Rio Febros, rio que atravessa a freguesia desaguando no Rio Douro.
O Monte logo por baixo da andorinha representa efectivamente o Monte da Virgem, que apesar de se estender por várias freguesias de Gaia, boa parte do seu território situa-se mesmo em Vilar de Andorinho.
As duas Cebolas dão conta do passado a agrícola de Vilar de Andorinho, onde a cultura da cebola foi de resto um dos principais produtos de exportação nos séculos XVIII e XIX para Inglaterra, trazendo um lucro importante para os agricultores da terra.
Por fim a Andorinha, é uma referência ao “topónimo "Andorinho", que parece ter provindo do antropónimo de "Adonorigo" ou "Andoninus", clérigo patrono da igreja de Vilar de Febres (Primeiro nome de Vilar de Andorinho, conforme documento de 1146)”. O que no fundo acaba por ser irónico uma vez que o nome “Vilar de Andorinho” não se ficará a dever ao nome da ave, mas no entanto é representado com uma andorinha. De resto este brasão encerra outras curiosidades, como por exemplo campanha de burelas ondeadas de azul e prata que representa o Febros. O Febros é um pequeno afluente do Douro, e não lhe retirando qualquer importância histórica local não deixa de ser interessante o facto de ser retratado com uma dimensão superior à representação do Rio Douro no Brasão de Vilar Nova de Gaia.


Armas - Escudo de prata, uma andorinha de sua cor, alcandorada sobre um penhasco de negro, saínte de uma campanha de burelas ondeadas de azul e prata; em chefe, uma coroa mural antiga de vermelho, entre duas cebolas de verde, folhadas do mesmo. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas : “VILAR DE ANDORINHO”. (Retirado do Site da Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho)


Para mais informações consulte:
Diário da República, III Série de 08/05/1996

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Roteiro Cultural #2 – Igreja Matriz




Numa pesquisa sobre Vilar de Andorinho no afamado livro “Portugal Antigo e Moderno” do já longínquo ano de 1886, encontrei algumas referências à Igreja Matriz de Vilar de Andorinho.
Pinho Leal afirma no seu livro que, segundo a tradição, a antiquíssima capela de S. Lourenço terá sido a primeira matriz da paróquia de Vilar de Andorinho. O autor atesta que é por esse motivo a primeira ladainha “que nas sextas-feiras da Quaresma sai da actual matriz, dirige-se à capela de S. Lourenço” (confesso que não sei se ainda hoje essa tradição se mantém).
Outro dado curioso sobre a capela prende-se com inscrição sobre a porta principal, que diz o seguinte: “Esta capela pertence a Vilar de Andorinho”. Isto ficará a dever-se ao facto de na época existir em S- Lourenço propriedades que administrativamente não pertenciam a Vilar de Andorinho mas sim a Pedroso (por opção dos proprietários).





Mais tarde a matriz foi transferida da aldeia de S. Lourenço para a de Vilar, porém ainda não se encontrava na sua morada actual mas sim “no local onde ainda hoje se vê a residência paroquial” (mais uma vez confesso que não descobri se a residência paroquial de que fala Pinho Leal em 1886 é a que ainda hoje existe).
Porém, e segundo Pinho Leal, resultado das más condições do templo resolveram fazer outra igreja mais ampla, num local um pouco distante da residência paroquial… a sua actual morada! Mesmo na obra de Pinho Leal não existe uma data certa para a construção da Igreja Matriz, supondo-se que tenha sido construída no século XVI. Contudo na torre consta a data de 1797.
Segundo o “Portugal Antigo e Moderno” a igreja “mede interiormente 25 palmos de largura e 127 de comprimento – tem altar-mor e 4 laterais com bons retábulos de talha dourada – coro, órgão e torre com três belos sinos e relógio.”
“No alto do trono tem um crucifixo do Salvador, titular desta igreja, e aos lados imagens de S. Bento, Santa Catarina e Santa clara, sendo de boa escultura esta última.”
Na obra de Pinho Leal existe ainda uma descrição quer da capela-mor como dos diversos altares laterais, onde frisa informações como a existência de Confrarias ligadas a determinados Santos e a respectiva data das festas e romarias. Por exemplo, a confraria mais antiga mencionada é a do Menino Jesus que terá sido eleita em 1707, mas na época contaria já com um limitado número de membros, uma vez que estes eram obrigados a pagar anualmente meio alqueire de mil, cada um.
Tanto a actual Igreja Matriz como a capela de S. Lourenço merecem sem dúvida uma visita, não apenas por motivos religiosos, mas também por toda a riqueza histórica, cultural e artística que guardam. Termino com uma última curiosidade: reparem na numeração existente no relógio da torre da Igreja Matriz e descubram o que existe de errado. Não sei se foi propositado ou não mas não deixa de ser curioso!

Para mais informações consultem: “Portugal Antigo e Moderno” de Pinho Leal, disponível na Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Vilar de Andorinho, a origem do nome!








Para aqueles que gostam de saber a origem das coisas, aqui ficam algumas pistas sobre a origem etimológica de Vilar de Andorinho. O topónimo “Vilar” terá surgido por volta de 1058 (pelo menos segundo o inventário onomástico de Domingos Moreira). Tal como noutros locais o significado de “Vilar” remete para fracção de vila rústica ou pequena aldeia, o que revela desde logo as raízes agrícolas desta freguesia. Relativamente à origem do topónimo “Andorinho” não existe grande consenso. Sabe-se porém que desde o século XI até por volta do século XVI esta região seria conhecida por Vilar de Febros.
Há quem defenda que Andorinho se trata da alcunha de um importante padroeiro do templo local do século XII. Podemos verificar tal facto num documento incluído no «Consensual do Cabido da Sé so Porto» (que será com certeza uma transcrição tardia do séc. XIV referente aos finais do século XII). O mesmo menciona o assassinato, ocorrido dentro da própria igreja, de um clérigo “filho de Andorinho” e perpetrado por Gonçalo Barrico. De facto talvez esteja aqui a origem de “Andorinho”, um bom escândalo fica sempre na memória popular… e poderia ser mais fácil identificar a vila pelo homicídio ocorrido no templo local, em vez do seu nome à época (Vilar de Febros).  
Mas como foi dito, não existe grande consenso e por exemplo na Monografia de Vilar de Andorinho da autoria de Joaquim Costa Gomes, podemos ler: “Pinho Leal autor do «Portugal Antigo e Moderno» admite que o topónimo seja fruto da corrupção de Adonorigo, nome godo de um possível proprietário (…)”. Como vêem muito mais haverá a dizer sobre a origem do nome desta freguesia, mas como não sabemos tudo mantemo-nos abertos às vossas opiniões!

Para mais informações consulte:

“Monografia de Vilar de Andorinho” de Joaquim Costa Gomes
“Terras de Rey Ramiro”, edição comemorativa do Rancho Folclórico de Gulpilhares
“O Grande Porto” de Hélder Pacheco
“Boletim Cultural” Volume I, dos Amigos de Gaia

(Todos os livros citados encontram-se disponíveis na Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia)