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quarta-feira, dezembro 30, 2009

Requalificação de Vila D'Este já arrancou

Aqui fica disponível um dos artigos do Especial Vilar de Andorinho publicado pelo Notícias de Gaia a 15 de Outubro de 2009.






Finalmente. A requalificação de Vila D' Este vai sair do papel. A autarquia de Gaia assinou o contrato para a primeira fase de requalificação dos edifícios, no valor de 5 milhões de euros. O projecto foi aprovado pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional. Apesar de não ser responsabilidade camarária, a autarquia encomendou um projecto ao Professor Vítor Abrantes (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto), que agora pode passar à prática nesta primeira fase. O importante é recuperar uma urbanização onde vivem 17 mil pessoas. A concurso público vão agora as restantes fases que dizem respeito, por exemplo, aos arranjos exteriores e nova requalificação de edifícios. "É com particular satisfação que assinamos este protocolo", referiu o vice-presidente da câmara e presidente da Gaiasocial". E Marco António Costa explica: "Ao contrário do que alguns dizem, este acordo só acontece devido ao esforço concertado das forças políticas de Vila Nova de Gaia e das associações representativas".
Os trabalhos começam já nos próximos dias e ficarão sob a alçada do departamento de Obras da autarquia. Entretanto, decorre o estudo de impacte ambiental para o prolongamento da linha do Metro até Vila D'Este. "Só chega em 2013 graças à vontade da população e à reivindicação da Câmara que, juntos, conseguiram que a decisão da secretária de Estado dos Transportes fosse anulada. Se nada tivesse sido feito, só teríamos Metro em Vila D´ Este em 2024", salientou Marco António Costa.
Menezes recordou que a autarquia está a intervir em Vila D ' Este desde o primeiro mandato. "Construímos uma escola do 1º ciclo, um pavilhão, uma piscina e demos sedes às associações". Paralelamente, foram realizadas intervenções ao nível da mobilidade e da recolha de lixo, que passou a ser diária.
Mas não chega. No futuro "vamos lutar pela instalação de um policiamento de proximidade. Na educação, vamos dialogar com os proprietários da antiga escola privada para fazer o desdobramento da Escola Básica e permitir que os alunos tenham um horário contínuo. E com as associações e a Paróquia vai continuar o diálogo, para trabalharmos no campo da 1ª infância e da 3ª idade, que até nem são competências nossas", finalizou o presidente do executivo camarário.

Consulte ainda a entrevista ao Dr. Manuel Monteiro, Presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho: http://noticiasdegaia.files.wordpress.com/2009/10/vilar-de-andorinho.pdf

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Gente da Minha Terra #3 – Padre Floro

Aqui fica um texto de Hugo Vasconcelos sobre uma das principais figuras de Vilar de Andorinho.

Padre Floro, um pároco na memória colectiva Vilarense.

No jardim frente à nossa Igreja Matriz, ergue-se o busto do Padre Floro Dias Alves. Corria o ano de 1967, quando o então pároco, o excelente pregador Pd. Faria, deixa a nossa Paróquia para ir apascentar a de Cedofeita. D. Florentino, Administrador Apostólico da Diocese do Porto, na ausência do seu Bispo, D. António Ferreira Gomes, exilado por motivos políticos, nomeia para Vilar de Andorinho o Pd Floro que, desde 1962, era pároco de Candemil e Anciães, em Amarante.
Curiosamente, fora também coadjutor daquele que, anos mais tarde, será Bispo de Setúbal, D. Manuel da Silva Martins. Pd Floro chegou no dia 19/11/1967 e toma conta dos destinos da nossa Paróquia. Com a Igreja Matriz cheia, diz as primeiras palavras a um povo profundamente crente e devoto. Com o passar dos anos, a Igreja e as Capelas continuaram cheias até ao seu último alento.
O nosso povo foi sempre muito acolhedor dos seus párocos. Foi o povo quem ergueu a Casa Paroquial e a Capela de Balteiro à custa de memoráveis cortejos e bailaricos. Pd Floro fez profundas obras nas Capelas de S.Lourenço, Nª Srª da Paz e na Igreja Matriz. Foi um lutador pela melhoria das condições físicas dos edifícios, mas sem esquecer “que a missão do Sacerdote não é só construir capelas, mas a Igreja de Jesus Cristo, feita de pedras vivas”. A nova Capela da Sagrada Família, em Vila D’Este, que o nosso querido Pd Albino Reis agora ressuscitou, foi também visão sua. Pd Floro nasceu a 11/12/1936, na freguesia de Vila Maior, no Concelho da Feira, e partiu para junto d’Aquele de quem toda a vida foi mensageiro a 3/3/1999, após 32 anos de serviço na Paróquia.
Nessa manhã, chegou a notícia que abalou toda a Freguesia. O Pd Floro morreu! As águas da fonte do Souto pararam, estupefactas, incrédulas. A doença que o minava acabou por lancetar-lhe a vida, apesar da vontade íntima de a vencer.
Do Pd Floro recordamos o à vontade e a simplicidade com que acolhia os paroquianos. Dava-se a todos, para ele todos eram iguais, pois todos eram filhos de Deus. E foi esta doutrina, esta franqueza de portas abertas à comunidade que o transformaram num filho amado desta terra, mesmo que desta não tenha brotado.
Na minha memória, retenho as suas visitas à Escola Primária: formava-se uma roda em seu torno e cantávamos. Contava-nos histórias e, por momentos, aquele homem, vestido com uma roupa pesada e escura, afinal era um nosso “colega”, com quem podíamos brincar ou saltar à fogueira nos magustos…
As pedras de que falava estão vivas, com um misto de saudade e de alegria: saudade do homem do povo, sabedor das suas misérias e venturas, e alegria por termos a certeza que, onde agora está, certamente rezará por todos nós.

Hugo Vasconcelos

“...Não chores, Se verdadeiramente me amas!”

In http://www.vilarandorinho.net/PDF/Boletim_2008.pdf

sexta-feira, dezembro 18, 2009

“APRENDER, COMPENSA”, reportagem do Jornal Audiência

Aqui fica mais uma reportagem do jornal Audiência, escrita por Marisa Pinho e publicada a 18 Novembro 2009.

“Aprender, compensa” foi a expressão projecta e sentida nos muitos homens e mulheres de Vilar de Andorinho que, na passada sexta-feira, no auditório da Associação Cultural e Desportiva S. João da Serra, pegaram no seu diploma de certificado de habilitações, uns do 9º ano e outros do 12º ano.
O gabinete de inserção profissional da Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho, através de um protocolo com o Centro de Novas Oportunidades, criou as condições necessárias para que muitos adultos da freguesia obtivessem uma qualificação de 9º ano e 12º ano pelo processo de Reconhecimento, Certificação e Validação de Competências (RVCC - Programa das Novas Oportunidades).

Os homens e mulheres que entraram neste processo para aumentarem a sua escolaridade fizeram-no, uns, por questões de valorização pessoal, mais muitos outros por motivos profissionais.

Um desses exemplos é Armando, funcionário da Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho que adquiriu primeiro o diploma do 9º ano e, posteriormente, o do 12º. “A aquisição deste diploma foi muito importante para minha vida”, disse Armando ao referir que, apesar da idade, quando existe vontade e empenho “tudo se torna mais fácil”.

“Quando alguém abria uma vaga para um emprego, eu tinha muitas dificuldades em consegui-la, ficava logo excluído por causa das minhas baixas habilitações”, confessou.

Os recém diplomados pelas Novas Oportunidades lembrou que quando se é jovem “não se dá valor a este diploma”. Na construção do seu portfólio, Armando colocou todas as experiências que adquiriu ao longo da vida e, hoje, depois de ter aprendido a lidar com o computador, utiliza com muita frequência a Internet.

“Este diploma promoveu o meu auto-conhecimento, crítica e tornei-me uma pessoa mais instruída”, frisou orgulhoso.

O presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho, Manuel Monteiro, não conseguiu esconder a satisfação na entrega dos diplomas aos seus fregueses. “Ninguém é o mesmo antes e depois de ter recebido este diploma. Estes alunos saem daqui mais enriquecidos”, salientou.

Manuel Monteiro garantiu que a Junta de Freguesia vai continuar receptiva no apoio a este tipo de iniciativas e apelou a estes novos diplomados que continuem a aprender. “Não fiquem por aqui. Quando eu terminar a minha vida autárquica, quero tirar o curso de direito”, anunciou.


Reportagem disponível em:

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Gente da Minha Terra #2 – Mestre Manuel António de Sousa




Ao longo dos séculos muitos foram aqueles que admiraram e continuam a admirar a obra-prima de Nasoni. Para muitos um dos principais ex-líbris da cidade do Porto, a Igreja e Torre dos Clérigos são no mínimo um dos mais emblemáticos postais turísticos da sua cidade. E mesmo sem conhecer o esforço necessário a uma obra de tal envergadura não é possível ficar indiferente àquela Torre que no alto dos seus 75 metros é a maior Torre de Portugal.
Muitos foram os obstáculos que colocaram em causa o avanço da Igreja e da sua Torre, mas cedo a Igreja e Torre dos Clérigos começaram a recolher um merecido respeito. Já em 1910 a Igreja e Torre foram classificadas pelo IPPAR como Monumento Nacional, e em 1996 uma vez que se encontram em pleno Centro Histórico do Porto tornaram-se Património Cultural da Humanidade.
Nasoni projectou toda a obra e mérito lhe seja dado por num terreno tão acentuado ter demonstrado uma sublime capacidade arquitectónica (sobretudo do ponto de vista estrutural), sem deixar de embelezar a sua obra com toda a riqueza do estilo Barroco. Porém, não podemos esquecer os mestres pedreiros que levaram efectivamente a obra ao que hoje conhecemos.
Depois de aberto o concurso para a construção da Igreja, a empreitada foi adjudicada por 32.000 cruzados ao mestre António Pereira. No dia 2 de Junho de 1732 com pompa e circunstância foi então lançada a primeira pedra da Igreja.
Nasoni muito zeloso do seu projecto não deixou de acompanhar de perto o avanço dos trabalhos, anotando várias deficiências. A dada altura um grupo de peritos depois de fiscalizar a obra alertou de imediato os responsáveis sobre a fragilidade das paredes, garantindo que mantendo-se os mesmo critérios a obra não teria um bom fim.

É assim que logo depois da peritagem o mestre António Pereira desiste do projecto, passando o mesmo para as mãos do mestre Miguel Francisco. Porém o segundo mestre também não esteve à altura das responsabilidades e acabou por se afastar (ou ser afastado). É assim que entra em cena o mestre Manuel António de Sousa, natural de Vilar de Andorinho (presume-se que tenha nascido em S. Lourenço).
O mestre Manuel António de Sousa assume o projecto com a condição de começar tudo de novo. E é mesmo o mestre oriundo de Vilar de Andorinho que consegue concluir a Igreja com o pleno agrado dos responsáveis. Os responsáveis do projecto, em especial Nasoni, não tiveram dúvidas em reconhecer o mérito de Manuel António de Sousa entregando-lhe também a construção da Torre que se situaria nas traseiras da Igreja. Manuel António de Sousa voltou a aceitar a responsabilidade e respondeu com toda a categoria e competência que a obra exigia, terminando-a em 1759, apenas quatro anos depois do seu início.





Assim, da próxima vez que subirem a Rua dos Clérigos ou simplesmente vislumbrarem ao longe a imponente Torre do Clérigo… recordem que foi um vilarense que deu “vida” àquele monumento de 75 metros de altura.

Muito mais gostaria de contar sobre o mestre Manuel António de Sousa, mas a verdade é que o seu nome parece tem sido varrido da História. Em vários documentos e sites sobre a Igreja e Torre dos Clérigos o seu nome não consta, ao contrário dos dois mestre que o antecederam. É realmente curioso que assim seja…

Para mais informações consulte:
“Monografia de Vilar de Andorinho” de Joaquim Costa Gomes

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Entrevista do Padre Albino Reis ao jornal Audiência



Aqui fica um excerto da entrevista concedida pelo Padre Albino Reis ao jornal Audiência, escrita por Tânia Pinheiro Lino e publicada a 3 de Novembro de 2009 no site do Jornal…



A 12 de Outubro de 1978 entrou para o seminário, contra a vontade dos pais, mas cheio de vontade de ser missionário. O gosto pela teologia levou-o a seguir o caminho sacerdotal. Albino Reis foi o primeiro padre a ser declarado objector de consciência e, como castigo, foi fazer uma missão no Brasil, onde ficou por 10 anos. Depois, foi redactor-chefe nas revistas Audácia e Além-mar, fez mais uma missão, no México, até que, após uma ruptura com os Missionários Combonianos, foi parar à Paróquia do Divino Salvador, em Vilar de Andorinho. Neste mês de Outubro faz seis anos que ali chegou para mudar para sempre a vida da paróquia. Dinamizador, criativo e com uma grande capacidade de atrair os jovens para a igreja. Com um estilo muito próprio, o padre Albino Reis, também capelão do Centro Hospitalar de V. N. Gaia/Espinho, falou com o AUDIÊNCIA sobre o passado, o presente, o futuro e deu-nos a conhecer a sua opinião sobre alguns temas polémicos.

O Presente…

O que é que fez durante os quatro anos que esteve em Portugal, até chegar a Vilar de Andorinho?
Uma boa parte desse tempo foi passado na revista Audácia, onde fui redactor-chefe, e colaborava na Além-mar. Entretanto, fui ao México fazer um tempo de formação permanente, um tempo de vivencia espiritual, de formação e de estudo, mas que não consegui fazer dessa maneira. Estive algum tempo na cidade do México mas depois fui para um projecto missionário em Chiapas, numa cidade que se chama Palenque, e estive por lá com duas comunidades indígenas. É uma região onde existe um movimento independentista muito grande, uma região de conflito que quis conhecer. Estive lá com os índios cerca de meio ano a oito meses.

Como é que surgiu a hipótese de ‘abraçar’ Vilar de Andorinho?
Este é o episódio mais triste. A hipótese de vir para Vilar de Andorinho surgiu do desligamento com a congregação a que eu pertencia, dos Missionários Combonianos. Se calhar foi impressão minha mas achei que não estava a ser muito apoiado em tudo o que eu queria fazer, fosse na missão ou na revista, e a dada altura pedi o que era possível fazer que é uma esclaustração simples (sair da congregação por um período de três anos para fazer uma outra experiência). Nessa altura optei pela Diocese do Porto e vim parar a Vilar de Andorinho porque era a paróquia que estava disponível. O projecto era para  três anos mas envolvi-me com algumas coisas em que acreditei.

O que é que sentiu necessidade de mudar mal chegou à paróquia de Vilar de Andorinho?
Encontrei uma paróquia que estava a precisar de ser agitada, havia muito descontentamento da parte das pessoas. Trata-se de uma paróquia que cresceu muito de repente e as estruturas não acompanharam. Estava a precisar de algum dinamismo e, modéstia à parte, acho que consegui imprimir esse dinamismo com aceitação das pessoas.

O Padre Albino Reis é o rosto de uma igreja dinâmica, próxima dos jovens e da população, de uma paróquia que não pára. “Puxa” pelos paroquianos ou são eles que “puxam” por si?
Eu acho que é recíproco e é por isso que digo que, nestas coisas, não se pode estar muito tempo, é preciso uma dinâmica constante para nos motivarmos e puxarmos uns pelos outros. Mas este é um exercício que cansa ao fim de algum tempo. Primeiro, acaba por nos faltar a iniciativa e a criatividade e, depois, é muito possível que nos cansemos porque estas coisas stressam e esgotam.

Hoje as pessoas vão mais à igreja do que quando chegou a Vilar de Andorinho?
Vão. É evidente que falo daquilo que me dizem, mas também falo daquilo que é a minha memória dos primeiros tempos em que estive aqui. Pouco a pouco, fui assistindo ao encher das capelas e da igreja matriz, foi uma coisa nítida.

É algo que o deixa orgulhoso?
Deixa porque se estamos a fazer um trabalho sentimo-nos bem quando é reconhecido e as pessoas aderem. Sobretudo quando aderem com alegria e não porque têm que agradar a alguém ou porque vêm receber uma recompensa material. Estão felizes por constituir uma comunidade, por estar juntos e por celebrar e colaborar.
 Preocupa-se em cativar as pessoas para a igreja ou acha que as pessoas têm que a procurar sem qualquer tipo de estímulo?
As duas coisas são verdade mas sempre me custou ouvir as pessoas dizer que alguém deixou de frequentar uma comunidade religiosa ou uma paróquia por causa do padre. Acho que não deve ser por essa razão porque as pessoas não devem ir por causa do padre, devem ir pela da sua fé.
 Mas o padre ajuda a manter as pessoas.
Exactamente, porque enquanto pessoas precisamos de ser cativados, estimados, acarinhados, acolhidos, por isso, a pessoa que está à frente de uma comunidade tem que ter esta capacidade de congregar, acolher, tolerar, respeitar e ser paciente. Tem que haver um esforço e o padre tem que ser alguém que congregue e não que disperse ou que feche portas.

Qual é a tarefa que gosta mais de levar a cabo na actividade de sacerdote?
Tudo aquilo que me põe em contacto com as pessoas. Desde a celebração da eucaristia, que é o momento mais importante, passando pelas reuniões e os momentos de convívio, todos são momentos muito importantes em que estamos em contacto com os outros. Aquilo que mais me realiza de alguma forma é o estar com as pessoas, enquanto cristão, na perspectiva de quem está a testemunhar a sua fé.

Como é que encara a tarefa de capelão no Centro Hospitalar de Gaia/Espinho?
Esse trabalho foi-me atribuído dois anos depois de chegar a Vilar de Andorinho e, pela minha ligação, a minha história vocacional e o meu desejo de ser médico, o ambiente hospitalar atraiu-me, tanto mais que podia viver a minha vocação sacerdotal. É um trabalho que faço a meio tempo, embora esteja disponível 24 horas por dia, e que, de alguma maneira, me realiza porque o ser humano também precisa de um acompanhamento psicológico, espiritual, de carinho, de amor, de um gesto, de um toque, de uma presença. É um trabalho muito gratificante…

Se voltasse atrás, havia alguma coisa que gostava de não ter feito?
(risos) Se voltasse atrás… eu acho que não… acho que mesmo aquilo que fiz mal, assumi, e acabei por me reconciliar com as pessoas que eventualmente prejudiquei. Não foram grandes males porque nunca fiz grandes males a ninguém, mas mesmo algum prejuízo que tenha feito a alguém, assumi, superei, reconciliei-me, ajudou-me a crescer, e acho que não haveria nada que eu não tivesse deixado de fazer.

Um aspecto que salta à vista nas eucaristias presididas por si é a grande mancha de jovens que a elas assistem. Quando era jovem também participava activamente na Igreja?
Não. Aliás, para muita gente da minha família a grande surpresa da minha decisão foi precisamente por isso. Nunca tive nenhuma envolvência com grupos de jovens ou movimentos de igreja.

Mas hoje faz com que os jovens o tenham.
Sim, é uma das faixas da população que me preocupa, é a juventude, seja na fase da adolescência, seja na idade jovem, que não é fácil. A paróquia já teve melhores dias porque já tivemos aqui três grandes grupos de jovens (de Balteiro, da igreja Matriz e de Vila d’Este), que neste momento não estão a atravessar a melhor fase. Talvez o de Vila d’Este se mantenha com bastante pujança e dinamismo mas os outros dois esmoreceram.

E porque é que isso aconteceu?
Se calhar porque se fecharam. Acabou por ser um grupinho de pessoas que se sentia bem, que se conheceu, e que depois teve dificuldade em fazer com que outros se sentissem bem acolhidos. Os grupos perderam qualidade e quantidade mas mantêm-se.

Foi fácil cativar as pessoas de Vila d’Este a participar activamente na igreja de Vilar de Andorinho?
Sem problema nenhum. O grupo mais coeso e comprometido é o de Vila d’Este. As pessoas dedicam-se e têm amor à camisola, mesmo nas circunstâncias em que estamos a celebrar (num salão sem grandes condições). E eu quase tenho medo de que, quando tivermos a capela nova, segundo os critérios tradicionais, as pessoas percam esse gosto. Aquele ambiente mais próximo, mais informal e mais convivial pode-se perder um bocado.

O Futuro…

Quais são os seus projectos para o futuro?
Terminar a capela de Vila d’Este e ir embora daqui porque acho que não se deve ficar muito tempo num sítio. O máximo aceitável é 10 anos porque deixa de se ter alguma coisa a dizer…

As coisas têm um ciclo e é preciso renovar?
Sim, a gente acomoda-se, instala-se e precisamos de sair. Agora, eu não digo que se for provocado e motivado, que não consiga fazer isso no mesmo sítio mas acho muito difícil. Começam-se a criar vícios. Estou aqui há seis anos e noto que estou a relativizar muito mais as coisas do que no inicio. Começa-se a ter alguma estabilidade, a dominar o território, a conhecer as pessoas todas e, quer queiramos quer não, acomodamo-nos. Mas não é o projecto principal, que neste momento é trabalhar.

Porque é que recusa os direitos paroquiais e doa o ‘folar’ à paróquia?
Eu tenho consciência que um padre, que foi alguém que se preparou com esforço, dedicação, sacrifício, que estudou e que se esforça por desempenhar a sua função, precisa inegavelmente de ter uma condição de vida mais ou menos desafogada. É um trabalho que não se pode fazer de forma gratuita, contudo, acho que também não é a actividade que se escolhe para enriquecer. Quem optar pelo sacerdócio para enriquecer errou no caminho. E como tenho conseguido ser feliz e viver com o mínimo indispensável, sem coisas supérfluas, optei por estabelecer um salário que neste momento ronda os 750€, fixo, além do que ganho do hospital. De tudo o resto que entra abdico porque esta é uma paróquia com muitas necessidades. Mas mesmo quando deixar de ter não vou mudar de ideias. A paróquia está a crescer e precisa de dinheiro para muitas actividades, por isso, não seria justo eu estar a arrecadar uma boa parte do bolo que é o ‘folar’ e os direitos paroquiais. Claro que quem fica a perder, contabilisticamente, sou eu, mas fico a ganhar na minha consciência, na minha realização pessoal e na minha forma de estar.

O Boletim Paroquial, semanário, e o site actualizadíssimo são dois mimos que oferece aos paroquianos vilarenses?
O Boletim Paroquial é feito exclusivamente por mim e está com vontade de crescer para um jornal mensal, da paróquia. No site tenho gente a ajudar-me. São uma maneira de poder estar junto das pessoas com informação e com formação, sempre que quiserem.
    
Para consulta da entrevista na sua íntegra visite:

Vejam ainda: “Senhor, aquele que tu amas está doente”: O capelão hospitalar, disponível em:

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Gente da Minha Terra #1 – Escultor Alves de Sousa





Muitos são aqueles que passam diariamente ou já passaram pela monumental Rotunda da Boavista sem reconhecer quem são autores do imponente Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular. O majestoso monumento em pleno centro do jardim da Praça de Mouzinho de Albuquerque, teve a sua autoria no arquitecto Marques da Silva e o escultor Alves de Sousa. A construção do monumento foi iniciada em 1909, mas apenas foi concluída em 1951, altura em que por morte do escultor Alves de Sousa, a direcção da obra viria a ser efectuada pelos escultores Henrique Moreira e Sousa Caldas.



Apesar de relativamente desconhecido, o escultor Alves de Sousa é um dos grandes nomes da Escultura Nacional e um dos filhos mais brilhantes da Escola Gaiense. Não obstante de todo o seu talento, pouco se sabe sobre a vida do escultor, o que em parte se deve à sua morte prematura. Filho de uma família humilde, António Alves de Sousa nasceu em Vilar de Andorinho a 9 de Janeiro de 1884.
Depois da instrução primária acredita-se que terá frequentado a Escola da Fábrica das Devesas, em Vila Nova de Gaia, onde o seu pai trabalhava como pedreiro. Na Escola da Fábrica teve oportunidade de aprender com um dos maiores escultores da época, Teixeira Lopes (Pai).
Com apenas 13 anos entra para a Academia de Belas Artes do Porto  (actual Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto) matriculando-se em Desenho Histórico e ainda no curso de Escultura. Acredita-se ainda que na sua permanência em Belas Artes terá frequentado o atelier do mestre Teixeira Lopes (hoje reconvertido na Casa Museu Teixeira Lopes e Galerias Diogo de Macedo), onde executava trabalhos próprios e colaborava ainda noutros provenientes de encomendas de clientes de Teixeira Lopes.
Em 1907 concorre a uma bolsa do Estado para estudar em Paris, mas acaba por perder contra o seu companheiro de atelier e de curso,  José d'Oliveira Ferreira. Porém no ano seguinte, volta a candidatar-se e consegue a bolsa batendo Rudolfo Pinto do Couto.
É em França que Alves de Sonsa executa as figuras do Monumentos aos Heróis da Guerra Peninsular, construindo ainda a maqueta com as escalas e desenhos enviados pelo companheiro Marques da Silva. Em 1915 o escultor Alves de Sousa e o arquitecto Marques da Silva uniram ainda esforços noutro concurso emblemático, o concurso para o monumento dedicado ao Marquês de Pombal em Lisboa. O monumento existente é da autoria do escultor Francisco dos Santos, mas o público e os especialistas em Arte da época preferiam o trabalho apresentado por Alves de Sousa e Marques da Silva. A decisão do júri em optar pelo trabalho de Francisco dos Santos gerou grande controvérsia na época, tendo mesmo sido discutida no Parlamento.
Ainda em Paris o escultor tem dois filhos da francesa Germaine Marie Victoire Lechartier, (uma menina, Hidrá, e um menino, Caius), porém em 1918 acaba por perder Germaine devido à Gripe Espanhola. Presume-se que tenha voltado a Portugal nesse mesmo ano com os seus dois filhos.
Alves de Sousa falece precocemente em Vilar de Andorinho a 5 de Março de 1922, com apenas 38 anos e sem ver o seu Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular terminado.





Apesar da morte prematura, ter de certo modo arrastado o escultor para um injusto esquecimento parte do seu legado continua vivo. E hoje além do Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular podemos por exemplo visitar na Faculdade de Belas Artes do Porto o imponente Orfeu de 1911.



Para mais informações consulte: